A máquina da cidade tem fome de alma de gente, não é, pai? E o lixo da cidade tem fome de alma de bicho?
O espetáculo
Heróis do Papelão é uma reflexão poética acerca do universo dos recicladores autônomos de lixo. Dividido em quadros independentes entre si, cerzidos por canções e cenas aparentemente desprovidas de caráter dramático, o espetáculo expõe situações inspiradas em relatos e depoimentos colhidos ao longo de dois anos.
O personagem do Catador, aqui, confunde-se com a figura do artista e sua relação com a arte, que por sua vez confunde-se com a própria noção de indivíduo político (e poético).
Híbrido, o espetáculo não anseia por uma "documentação" objetiva ou uma teoria iluminadora, mas investiga, sim, o que a figura do catador possui de arquetípico. Daí o jogo entre ator, boneco, artista. Onde finda o artista, onde inicia a máscara, onde se executa o teatro? E a música, a cenografia, o texto, o público? Chocam-se ou contemporizam-se continuamente? Talvez como a metrópole, seus deuses e semideuses mortos e reinventados a cada segundo? Entre tantas dimensões de uma mesma face, há realmente uma nítida cisão, como a janela opaca de um automóvel ou um palco de teatro?
FICHA TÉCNICA
DIREÇÃO E ADAPTAÇÃO: Graça Freitas
TEXTO: Ângela Linhares e Maria Vitória
COMPOSIÇÃO DAS MÚSICAS: Letra: Maria Vitória; Música: Caio Dias e Roni Santos
ATORES: Diego Landin, Ronaldo Queiroz, Leonardo Costa, Maria Vitória e Maria Marina
MÚSICOS: Caio Dias, Rami Freitas e Roni Santos
PREPARAÇÃO VOCAL: Clara Luz
CONFECÇÃO DE BONECOS: Graça Freitas, Maria Vitória e Ronaldo Queiroz
CENÁRIO E ADEREÇOS: Graça Freitas, Kazane e Stênio Freitas
Criação gráfica: Diego Landin
PRODUÇÃO: Elisa Alencar
COLABORAÇÃO EM COMUNICAÇÃO: TEMBIÚ - Alimento de Alma
espetáculo Heróis do Papelão
- no Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Avenida Duque de Caxias, 1701 - Centro de Fortaleza)
dias 2, 3, 4, 6, 10 e 11 de julho às 20h
- no Theatro José de Alencar (Praça José de Alencar, s/n - Centro de Fortaleza)
dias 15 e 16 de julho às 19h
entrada: r$7 e r$14
info: (85)8772-3276 e 8133-0616 ou producaogrupoformosura@gmail.com
Grupo Formosura de Teatro – 25 anos
Oriundo do grupo
Independente de Teatro Amador - “GRITA”, nasce em 1985, no cenário artístico cearense, o
Grupo Formosura de Teatro.
Em sua bagagem a herança trazida do GRITA, com as montagens de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, "O Evangelho Segundo Zebedeu", de César Vieira, "Fala Favela", de Adriano Spínola, "O Pão", "O Caldeirão", "O Filho do Herói", os três trabalhos de autoria de Oswald Barroso.
Sob a direção artística de José Carlos Matos (falecido em 1982), o GRITA propôs-se à importante tarefa de vincular o teatro à arte da periferia e aos movimentos sociais urbanos. É dentro desta articulação do universo da cultura da periferia urbana de Fortaleza e do teatro que se calcava fortemente na sua dimensão de práxis política e investigação estética, que surgirá o Grupo Formosura.
Ele unirá de início, Chico Alves (já falecido) e Graça Freitas que atuavam no GRITA como atores. O Formosura passa ter sua história semelhante à dos tradicionais mamulengueiros nordestinos: constitui uma família de artistas, que se juntam a parceiros na sua arte, no difícil movimento que é realiza-la em grupo. Somando-se ao trabalho a dramaturga Ângela Linhares, os atores Antonio Rodrigues, Leonardo Costa, Diego Landim, Caio Dias, Roni Santos, Ronaldo Queiroz, Elisa Alencar, além de Marina Alves e Maria Vitória, atrizes-bonequeiras, e Rami, músico, percursionista (filhos de Graça e Chico Alves).
Em meio a uma história de décadas, pensando e pesquisando o que seria a cena popular e sempre atuando nela, o Formosura caracterizou-se por um tipo de teatro que ainda que guardasse a irreverência, espontaneidade e humor, comuns à tradição de brincantes populares, teve sempre uma ação de fuga a soluções fáceis em arte.
Hoje o exercício do grupo consiste na experimentação da linguagem do boneco e do ator. Experimentação através da pesquisa, montagem de espetáculos e também do ensino desta arte para jovens da periferia de Fortaleza, bem como a realização de oficinas e cursos para os diversos segmentos sociais da cidade.
É na busca de aprender e ensinar que o Grupo Formosura tem calcado seu trabalho ao longo de 25 anos de existência.