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O Abajur Lilás toma o Chopp do Bixiga

a provocação agora corre solta no coração do Dragão do Mar, dentro do barzinho descolado Chopp do Bixiga. Confira!

Quarenta anos depois de sua criação, texto de Plínio Marcos continua espalhando farpas. Agora, na montagem do Grupo Imagens de Teatro (CE), aos sábados de junho e julho em cartaz no Chopp do Bixiga, barzinho descolado no coração do Dragão do Mar.
o santista Plínio Marcos
o santista Plínio Marcos


O Abajur Lilás, texto do paulista Plínio Marcos, foi criado em 1969 e no mesmo ano começaram os ensaios para montagem. Rapidamente, o texto foi proibido pela censura, sendo liberado só em 1975, quando enfim se tentou montá-lo pela primeira vez: com o diretor Antônio Abujamra, o cenógrafo Flávio Phebo e os atores Lima Duarte, Cacilda Lanuza, Walderez de Barros, Ariclê Perez e Osmar di Pieri.

A peça mais uma vez foi vetada pela Polícia Federal, considerada “atentatória à moral e aos bons costumes”, depois de um longo processo jurídico e uma empenhada campanha da classe teatral de São Paulo. “As circunstâncias fizeram de O Abajur Lilás mais do que uma simples peça, uma bandeira” (Ilka Maria Zanotto).

Somente 21 anos depois a montagem pode acontecer e foi sucesso: produção de Antônio Fagundes, direção de Fauzi Arap, cenário e figurino de Tawfik e Vigna e elenco formado por José Fernandes de Lyra (Gero), Walderez de Barros (Dilma), Annamaria Dias (Célia), Claudia Mello (Leninha) e Zé Carlos Cardoso (Osvaldo).

Plínio Marcos fundiu em “O Abajur Lilás” talento e ira, mais do que em outras obras-primas, como “Navalha na Carne” e “Dois Perdidos Numa Noite Suja”. Na crítica intitulada “Linguagem livre, em Abajur Lilás”, escrita por Cláudio Pucci na semana de estreia do espetáculo, em 1980, “O Abajur Lilás é uma reflexão em forma de teatro sobre o ser humano, seus limites, paixões, fracassos, esperanças e porque é isso, e é bom teatro, contém o retrato do submundo, a alegoria política, e até mais se quiserem, mantendo-se vivo (também pela permanência, no essencial, dos problemas que levanta) como inquietante transparência deste momento”.

A trama, que inclui tortura e assassinato, foi escrita há 40 anos e infelizmente resiste ao tempo, demonstrando a extrema atualidade de seu contexto. Conta o drama de três prostitutas torturadas pelo cafetão que quer descobrir quem quebrou o abajur lilás do seu quarto. Um jogo de torturas e confissões, onde o conflito interno de cada personagem é a busca da redenção.

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Ao longo desses 35 anos, as montagens de “O Abajur Lilás” geralmente foram provocantes e geraram instigantes reflexões sobre a degradação humana nas relações entre personagens que sobrevivem à beira da marginalidade.


Na montagem do Grupo Imagens de Teatro, de Fortaleza (CE), isso não é diferente. Aliás, a provocação é a alma do negócio nessa experiência artística e política, que completa um ano esse mês, em nova temporada. Agora, no Chopp do Bixiga, um bar usualmente frequentado por gringos, turistas, boyzinhos e outros personagens da Praia de Iracema, em pleno Dragão do Mar. Vale conferir!

O ambiente é um bordel, tendo à frente um bar, o “O Leite da Mulher Amada”, salpicado de luzes vermelhas. Há música de cabaré, cantada ao vivo. Ao fundo, o quarto na penumbra, onde ocorrem os programas e as tramas. O cheiro de bebida, misturado com as brasas de cigarro e com as palavras sujas saídas das bocas de mulheres mal amadas, são elementos que compõem essa poesia marginal.
Kátia Camila

O público, logo ao entrar terá o contato direto e real com o elenco, pois a plateia será composta por mesas e cadeiras do próprio Chopp do Bixiga, onde vez ou outra será servida uma cachacinha. O universo abordado é o que sempre determina o espaço cênico e não há qualquer distância entre personagens e espectadores.

Ação dramática, humana e de alta significância, o espetáculo traz uma nova provocação para o tipo de público que frequenta aquele bar. Essa montagem de O Abajur Lilás mostra o universo nu e cru pra uma sociedade que muitas vezes tem dificuldades de encarar uma realidade tão próxima de si. Essa é a nova provocação, “por isso fazer o espetáculo acontecer no coração do Dragão do Mar”, diz o diretor Edson Cândido. “O Abajur pretende semear uma inquietação no público do Chopp do Bixiga e arredores”, completa.

Como em outros trabalhos do Grupo Imagens, O Abajur Lilás proporciona um diálogo intenso com a cidade. Assim já o fez no entorno do Theatro José de Alencar (centro), do SESC SENAC Iracema (Praia de Iracema), também no centro de Guaramiranga/CE (em apresentação iniciada à meia-noite, em praça pública) e em Goiânia/GO, no Festival Nacional de Goiânia, onde recebeu importantes prêmios, nas seguintes categorias: "melhor espetáculo", "melhor direção", "melhor ator", "melhor atriz" e "melhor atriz coadjuvante". O espetáculo foi selecionado e vai se apresentar em Julho no FIT 2010 (Festival Nacional Ipitanga de Teatro / Bahia). Sucesso de público e critica.
Lana Gurgel

Definitivamente, esse universo denso e marginal invade os palcos do teatro cearense.


Elenco: Mara Alcântara, Lana Gurgel, Kátia Camila, Gilson Tenório, Fábio Frota, Beto Meneis, Eveliny Melo e Clara Luz
Núcleo de Intervenção: Cintia Dayse, Renata Cacalcante, Solon Nogueira, Júnior Martins, Aluisio Barbosa, Tom Jonese Gaby.
Direção: Edson Cândido
Apoio em Comunicação: TEMBIÚ – Alimento de Alma


O Grupo Imagens de Teatro mergulhou em uma pesquisa profunda, tanto da obra como do universo que o autor Plínio Marcos traz para o seu texto, através de análises sobre a vida e obra do autor e contextualização histórica, prosseguindo com pesquisa de campo, palestras, seminários, oficinas, filmes e vivência em entidades, enriquecida por laboratórios onde os atores visitaram cinemas pornôs, casas de prostituição, saunas, bares e praças, locais onde os personagens retratados na peça viveriam.


Esse é o princípio que torna a obra de Plínio Marcos tão contemporânea, pois é possível encontrar esses personagens em cada esquina de Fortaleza. Como em toda obra do autor, O Abajur Lilás expõe a alma humana.


Nova temporada de “O Abajur Lilás”, do Grupo Imagens de Teatro
sábados de junho e julho, sempre às 20h
no Chopp do Bixiga (Rua Dragão do Mar, 108 - Praia de Iracema – Fortaleza/CE)
entrada: r$10 e r$20
info: (85)3219-7690 (bar) e (85)8834-1071 (Grupo Imagens de Teatro)
censura 18 anos

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11/05/2010

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