Introdução ao Rãmlet Soul
Rãmlet Soul aproxima-se de uma
jam session para os palcos. É espetáculo de concisão extravagante e improviso condicionado.
Esse Rãmlet explode em conjecturas novas pela orgia de todos. Rãmlet, com o acento brasileiro, não é máquina, como no original de Heiner Müller, mas puro Soul, quadril negro do remelexo universal. Também não é Shakespeare, mas uma reverberação do mito da Consciência, de Hamlet.
Rãmlet Soul surge como espetáculo para ser apresentado em teatro-galpão onde atores, banda de música e artistas multimídia promovem, junto com o público, uma
rave teatral, o teatro-festa. A partir da poética de integração teatral das mídias, o Teatro, nesse trabalho coletivo, vem como ponto de convergência do pensamento festivo da cidade; ágora democrática para encontro de público diversificado, interessado por mídias diversas que se entrecruzam: público mais amplo do que o que costuma freqüentar as salas de teatro, em meio à programação das diversões das grandes cidades.
O objetivo geral de Rãmlet Soul é, em suma, o de um teatro que concorra com a vida.
Dramaturgia: amálgama de referências
A apropriação de elementos da dramaturgia do inglês Wiliam Shakespeare (1564–1616) e do alemão Heiner Müller (1929–1995) visa um resultado que se abre como tribuna pública, ao mesmo tempo tribuna sacra: o teatro como um gesto mágico, um rito cívico, um solavanco poético, um manifesto vivo.
Rãmlet Soul vale-se de Müller para lhe dar um passo adiante, para nova espiral histórica. Os envolvidos no espetáculo acreditam no teatro metamórfico do autor porque este é o teatro que lhes é próprio. O teatro que suga processos históricos para jogá-los para depois. Hamlet-Máquina (1979) é seu texto base do qual o espetáculo se apropria, ciente que seu ponto final é outro: não acaba na idéia de destruição, intrínseca à obra original.
Já Shakespeare fornece a matriz do Mito da Consciência moderno: Hamlet e sua luta iniciática pela Verdade – sacrifício divino na carne trêmula do Homem. A dramaturgia parte das duas criações originais e formata um texto próprio, com aberturas para improvisação e jogos de interação com o público. Sua estrutura se movimenta como no compasso do samba – do samba do crioulo doido – o samba que é cadência mas jamais estrutura, que é improviso jazzístico, calculado mas desvencilhado de batuta, tudo a reluzir como So(u)l.
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youtube.com/ramletsoul;
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Rãmlet da cidade
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Novo Ponto de Encontro
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Hamlet, o Mito: Eis a Questão
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Teatro-rave e a provocação