“Os Javalis”
Data: 10 e 11 de outubro de 2009
Local: Teatro Dragão do Mar
Horário: sábado e domingo às 20h
Entrada franca
Classificação etária: 14 anos
Duração: 50 minutos
Inspirado livremente na peça “Os Rinocerontes”, de Eugène Ionesco, destacado autor da tendência e estética do Teatro do Absurdo, “Os Javalis” apresenta uma situação inesperada: a chegada de um vendedor à casa de um solitário e recluso aposentado para contar-lhe da invasão de javalis na cidade em que moram. Por meio desta situação metafórica, o texto pretende tratar da contínua invasão do consumo e do mercado, “devorando” os anseios mais particulares dos homens e pressionando uma homogeneização de seus gostos e vidas.
“A estrutura circular da peça, que no fundo se mostra uma espiral sem fim, busca retratar a falta de saída que encaramos a vida, bem como a falta de mudanças que tanto ansiamos e nunca vemos, talvez porque elas precisem partir da gente, de nosso ponto de vista, e não do que está atrás da porta”, destaca o autor Gil Vicente. O texto de “Os Javalis” já havia sido experimentado em duas leituras dramáticas. A primeira em Salvador, com os atores Armindo Bião e Harildo Deda, em 2000, e a última, em Roma, na Itália, com tradução de Letízia Russo e direção de Pietro Bomtempo, em 2006. A montagem apresentada no FTB- Cena Baiana traz no elenco Carlos Betão e Marcelo Praddo.
“Os Javalis” leva às últimas conseqüências a “coisificação” do homem contemporâneo, sua crise de identidade, de postura, bem como a falta de atitudes. “Muitos de nós queremos mudanças. Há espera eterna por algo que mude. Uma angústia eterna pra que as coisas se modifiquem, enquanto ficamos em casa vendo TV e reclamando dos outros, sem tomarmos atitude nenhuma, crendo sempre na derrota ou na salvação fugaz, frágil, inconsistente, que gera sempre uma volta, uma sempre e eterna morte de nós mesmos”, analisa Gil Vicente, que também assina a direção da montagem.
Ficha técnica:
Direção e texto: Gil Vicente Tavares
Assistente de direção: José Jackson
Elenco: Carlos Betão e Marcelo Praddo
Cenário e figurinos: Euro Pires
Iluminação: Eduardo Tudella
Efeitos sonoros: Luciano Bahia