”Se minhas peças são atuais, o mérito não é meu. A culpa é do país que não se alterou.” (Plínio Marcos)
O espetáculo é uma metáfora sobre a ditadura militar. Texto é de Plínio Marcos. E conta o drama de três prostitutas torturadas pelo cafetão que quer descobrir quem quebrou o abajur lilás do seu quarto.
A trama, que inclui tortura e assassinato, foi escrita há 40 anos e transcende o momento; infelizmente resiste ao tempo, demonstrando a extrema atualidade de seu contexto.
Ação dramática, humana e de alta significância,
O Abajur Lilás joga atores e público no olho do furacão, levando às entranhas do submundo que preferem ignorar existir, fazendo-os cúmplices privilegiados do mundo de Plínio Marcos.
Esse universo denso e marginal invade os palcos do teatro cearense.
Elenco: Kátia Kamila, Mara Carvalho, Clara Luz, Gilson Tenório, Beto Menêis e Fábio Frota
Direção: Edson Cândido
O Grupo Imagens de Teatro mergulhou em uma pesquisa profunda, tanto da obra como do universo que o autor Plínio Marcos traz para o seu texto, através de análises sobre a vida e obra do autor e contextualização histórica, prosseguindo com pesquisa de campo, palestras, seminários, oficinas, filmes e vivência em entidades, enriquecida por laboratórios onde os atores visitaram cinemas pornôs, casas de prostituição, saunas, bares e praças, locais onde os personagens retratados na peça viveriam.
Esse é o princípio que torna a obra de Plínio Marcos tão contemporânea, pois é possível encontrar esses personagens em cada esquina de Fortaleza. Como em toda obra do autor, "O Abajur Lilás" expõe a alma humana.
O ambiente é um bordel, tendo à frente um bar, salpicado de luzes vermelhas. Há música de cabaré, cantada ao vivo. Ao fundo, o quarto na penumbra, onde ocorrem os programas e as tramas.
O público, logo ao entrar terá o contato direto e real com o elenco, pois a platéia será composta por mesas e cadeiras, como em um bar, onde posteriormente será servida uma “branquinha”. O universo abordado é o que sempre determina o espaço cênico e não há qualquer distância entre personagens e espectadores.
O Abajur Lilás, montagem do Grupo Imagens de Teatro
dias 05 e 12 de dezembro (sáb), sempre às 19h
no Theatro José de Alencar (sala Nadir Papi Saboia)
entrada: $8 e $16
info: (85)3101-2567 (TJA) e (85)8759-1061 (Adriana Pimentel)
Alguns depoimentos acerca do espetáculo:
Erival Teixeira: Professor da Uece, Bacharel em Antropologia:
Então!
Já fui por duas vezes. A Célia me instiga a mergulhar nas narrativas sobre as inquietações do corpo e o quanto a ruptura orbita nos discusos da prostituição. O largar para tentar correr por fora sozinhos sem as peripéciais da cafetinagem.
A cena da Leninha submersa e posta sob a água em total desalinho fez esse escrivinhador se arrepiar e lembrar o quanto às artimanhas coagulam o quinteto.
A cena inusitada quando já passa do tempo de inicio do espetáculo e do nada aparece a Dilma se insinuando do "parapeito" (é o novo!) ou insultada pelo Osvaldo, além do Gino pondo em cena sua performance são boas inquietações a platéia que já resmungava pelo inicio.
O "irmão" que meio tonto entre os "intelectuais" que frequentam os jardins do anexo causa angustia e olhares tortos. Maravilhoso e ainda fugaz a cena que estonteia e põe a falsa moral em evidencia quando o mesmo "irmão" estar a cama "fudendo" com a Dilma.
A cumplicidade do Osvaldo para com o Gino é um dos motes que trabalhei no texto dos dois Perdidos na noite suja em relação as falas nativas quando atribuem que o Osvaldo é um "tipico michê de quinta" o qual aparenta submissão mas "logo, logo" dará o bote frente a "bicha".
Estou anotando as tentativas de garimpagens desse aprendiz de Antropologo que debruça sobre as obras de Plinio Marcos.
Silvero Pereira: Ator e Arte-educador:
Tô passado! Parabéns por tudo. Vcs estão maravilhosos, vicerais, o ambiente é perfeito. A direção é fantástica. Fiquei chocado com todos (dou um destaque para Adriana, super a vontade, me surpreendeu muito). Nossa, quase ajudei a puta qundo ela caiu nas mãos da Bichona, mas não quis interferir e depois fiquei muito mal de ter deixado ela nas mãos daqueles filhos da puta. Amei, amei, amei, amei amei. Não merece aplausos mesmo não, sei que é arte e arte deve ser aplaudido, mas vcs são reias, é cruel e não dá pra aplaudir a realidade da periferia.
Ismailon C. Nunes, Icó/CE:
Você é um diretor do caralho. Me viciou na sua peça!,agora quero ir todos os dias!.. Valeu pelo espetáculo! Abraçoos fique com deus!
Mauro Lima: Ator e Produtor:
Nossa, Edson, fiquei sem palavras pro final e sem aplausos, é um espetáculo que aplausos é pouco, ao assistir é vida real: uma peça que te deixa à flor da pele, cara valeu mesmo, vc é tudo. Plínio tá sempre em cada cena...
O abajur pode ser até cor de carne... Mas jamais terá uma história como o Abajur Lilás, rsrs...
Valeu, meu filho. Parabéns por esse mais recente trabalho. Sei que adoras Plínio Marcos, mas me permita, carinhosamente, chamar-te de Gil Vicente, o dono das barcas, rsrs...
É que assim que te conheci, foi o primeiro nome literário que me venho a mente. Apesar de não pioneiro como foi Homero com Ilíada e Odisséia lá na nossa antiguidade. Gostaria de ter prestado mais atenção na peça, não fossem aqueles lindos cabelos, rsrs... Uma boa semana.
Eveliny Melo, Atriz e Bacharel em Arte-educação:
Não me perdoaria jamais se não tivesse ido ver mais um sonho seu em cena! Fiquei emocionada demais ainda mais c a lana ali do meu lado! Ninguém pode deixar de ver O abajur, NINGUÉM! Além da montagem em si, a platéia se transforma em um espetáculo a parte: Os rostos surpresos, o incômodo de alguns, a alegria de outros, a hipocrisia dos casais (mulheres tapando os olhos d seus homens)... Olha, é p se ver várias vezes p poder enxergar td! Vc é.... n encontro palavras... Sei q por toda minha vida vc será O DIRETOR! E se fosse só isso... Sua cabeça é uma máquina humana q nunca para! Bjos, querido! E parabéns!
Antonio Marcelo, ator, diretor, escritor, dramaturgo e romancista:
Caralho, foi do papoco. gostei da noia. o treco foi muito bom. talvez assim diria plinio marcos. edson, voce deu uma roupagem a peça. confesso a voce, so o texto do plinio, que eu ja li, nao me foi tao interessante, mas essa sua ideia de fazer o bar. foi excepcional. adriana pimenta excelente, katia kamila explendida.... giro, qual o nome dele? miraculoroso!!!!!!!!!!!!!!. merda, porra. depois vou voltar pra ver essa putaria de novo. e vou convidar gente.
Leonardo Pereira, Produtor Cultural (Secretária de Cultura/ Unidade de Ação e Difusão Cultural, Senador Pompeu/CE:
Querido, a peça é simplesmente um máximo.... mil desculpas por não ter ficado pra falr com vc depois, é q meu amigo tava super apressado e não quis ficar pra voltar pra casa só. Adorei mesmo, vc tava muito bem....
Um grande hiper mega abraço e manda abraços pra todos os atores q são show....
Thiago Marinho, Jornalista do Blog Cultucando (blog sobre Arte & Cultura) e do Site Zonamix:
Sempre que possível esse jornalista que vos escreve vai tecer comentários sobre o que de melhor aconteceu CULTuralmente no final de semana. Para começar com “chave de ouro”: no último sábado (1º/08) estive na estreia de “O Abajur Lilás“, do Grupo Imagens de Teatro. A sala Nadyr Papi Sabóya do Teatro José de Alencar ficou entupida de curiosos para ver a encenação do texto de Plínio Marcos. A peça tem o apoio cultural do ZONAMIX e estará em cartaz até o final de agosto, sempre às 19h30mim.
A peça foi um arraso! Antes mesmo de entrar na sala de espetáculos, os atores, já com seus personagens incorporados, interagiram com o público, deixando todos curiosos para ver a peça, e não fizeram feio não. Com uma grande dose de realismo, a encenação, a cada momento, dava ao espectador uma nova surpresa e faziam com que todos nós nos sentíssemos em um grande bordel, como aqueles instalados na Avenida Imperador, no Centro de Fortaleza. Não posso contar tudo, pois vai perder a graça de ir ao Teatro, mas posso dizer de “boca cheia” que valeu a pena ir ver “Abajur”. Para você puritano, não passe nem perto da Praça José de Alencar; mas você que possui uma mente mais aberta, deve ir ver!