GRUPO IMAGENS DE TEATRO apresenta:
O ABAJUR LILÁS, de Plínio Marcos
A peça, um clássico do teatro nacional, conta o drama de três prostitutas torturadas pelo cafetão que quer descobrir quem quebrou o abajur lilás do seu quarto.
Essa será a primeira peça de um projeto intitulado: "Plínio Marcos Trilogia", em que serão montados nos anos seguintes mais dois espetáculos:
Barrela e
Navalha na Carne. O Grupo Imagens há um ano mergulhou em uma pesquisa na intenção de investigar a obra de Plínio Marcos e também de vivenciar laboratórios, onde o diretor e os atores fazem visitas a cinemas pornôs, saunas, bares e casas de massagem, lugares esses que também serão espaços para ações futuras.
A MONTAGEM
O texto é da safra de 1969, completa 40 anos em 2009. Foi proibido em abril de 1970 e permaneceu na gaveta da censura por uma década – a proibição era sob a alegativa de que o texto atentava contra a moral e os bons costumes.
Liberado em abril de 1980, provocou profundo impacto em sua estreia nacional e teve inúmeras versões regionais durante 20 anos.
As circunstâncias fizeram de
O Abajur Lilás mais do que uma simples peça, uma bandeira. A classe teatral organizou várias manifestações de protesto contra a censura e grande parte das companhias teatrais não trabalhou, na quinta-feira, dia 15 de maio de 1975, data da proibição da peça. E, durante as semanas seguintes, era lido um manifesto contra a censura em todos os teatros, antes do início dos espetáculos.
Ao escrever "O Abajur Lilás", Plínio Marcos bebeu na fonte mais pura do realismo, tornando suas personagens, seres de carne e osso, com uma organicidade quase agressiva. É um realista recorte da vida real que, encenado de forma artisticamente competente, levará o público à reflexão sobre o período da ditadura militar vivido no Brasil da década de 1970.
A proposta do
Grupo Imagens de Teatro é revisitar a época em que os escritores, amordaçados pela censura, utilizavam metáforas para exprimir as suas idéias, os seus protestos, montando o espetáculo de Plínio Marcos, “O Abajur Lilás” num novo e moderno contexto.
MUNDO CÂO DE PLINIO MARCOS
No universo de Plínio Marcos, ator e dramaturgo santista, os marginalizados estão enredados nas teias de uma sociedade que os trucida sem lhes dar chance de sobrevivência. Prostitutas, assaltantes, ladrões, homossexuais vivem às voltas com situações que muitas vezes não criaram, mas que se tornam, pouco a pouco, parte integrante de suas vidas.
Dramaturgo brasileiro tão ou mais maldito que Nelson Rodrigues - e isso não é ser pouca coisa - merece alguns considerações sobre o personagem que ele próprio foi. Entender este personagem ajuda entender sobre os seus personagens ficcionais e sua obra.
Sua obra é fascinante pela riqueza e singeleza com que consegue chegar à barbárie, local onde a intelectualidade, a classe artística e o público da classe média não ousariam chegar pela sua condição de classe ou por sua opção política.
Os artistas de primeiro time (relativo à faixa salarial, entenda-se) têm a seu dispor leis de incentivo às artes que são uma promiscuidade artística, vendendo sua imagem para atrelá-las aos produtos da empresa patrocinadora. Acabam por fazer peças dentro de uma linguagem e de uma estética invariavelmente burguesas e assépticas, para um público pagante de classe média alta e além.
“Eu sou vim pra incomodar” (Plínio Marcos)
Ficha Técnica
elenco: Beto Menêis, Adriana Pimentel, Mara Alcântara, Kátia Kamila, Gilson Tenório, Fábio Frota
direção: Edson Cândido
texto: Plínio Marcos
participação especial: Galega dos Teclados
censura: 18 anos
ESTE PROJETO NÃO FOI CONTEMPLADO POR NENHUM EDITAL DE INCENTIVO A CULTURA!
Leia entrevista com o diretor Edson Cândido:
clique aqui.
O ABAJUR LILÁS
sábados e domingos de agosto, sempre às 19h30
na Sala Nadir Papi Sabóia (anexo ao Theatro José de Alencar - Rua 24 de Maio, 600 - Centro)
entrada: r$5 e r$10
info: (85)8834-1071 e
grupoimagensdeteatro.blogspot.com